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O abandono de leis opressivas no Sudão

Caminhamos para um mundo novo onde a revolução e a mudança são imprescindíveis para assinalar a diferença. Mais que dar voz a uma causa tão nobre como o feminismo, é de extrema importância verificar impactos significativos face a esta luta contínua que fomenta a transformação social.


O recente anúncio do governo de transição do Sudão corrobora justamente mais uma das conquistas na construção do nosso projeto de sociedade. Este comunicado, que enuncia o abandono de algumas das leis religiosas provenientes do povo sudanês, agitou toda a população conduzindo a sensações de agrado e gratidão por parte de uns, e conturbação e revolta por parte de outros.


Embora a promessa da abolição da apostasia, da mutilação genital feminina e da frequente submissão da mulher perante o marido devesse gerar uma onda de contentamento, a amargura reside ainda em inúmeras mulheres, outrora abusadas e injustiçadas pelas normas implementadas.


Em nenhuma circunstância a humilhação e descriminalização que diversas mulheres vivenciaram durante anos poderá ser apagada ou desvalorizada. Contudo, é um passo primordial para o alcance de uma conjuntura compacta e resistente na medida em que nos direcionamos para o fim de um islamismo extremista e conservador.


Sob emendas e reparos, a visão retrógrada e radicalista intrínseca do Islão tem sido lentamente suprimida, aproximando a religião abraâmica sinalada pela legitimação de abusos e opressões a uma vertente mais moderna e atual, sem qualquer espaço para o machismo, o sexismo, a misoginia e a homofobia.


O transtorno habita na fronteira existente entre religião e género. Contraditórios e propulsores de múltiplas tensões, percorrem agora uma fatigante jornada até ao seu contacto sólido e harmonioso. Nesse sentido, através de humildes conquistas como a relatada, impacta-se toda uma sociedade melhorada e desenvolvida, interpretando as novas leis além de uma simples notícia, um modo de emergir.








- Por Sara Terroso.

 
 
 

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