Amamentação: Romantização em Privado
- HeForSheIPP

- 9 de fev. de 2021
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Apesar de todo o amor associado ao tema, a amamentação não é sobre ser melhor mãe, atender a todas as expectativas do filho ou até se sair vitoriosa por fim. É puramente e somente optar pelo alimento mais completo e que melhor nutre o bebé.
A persistência da sociedade moderna na romantização deste ato acaba por colocar todas as mulheres, incapazes de amamentar, sob um estado de culpa, pressão e sofrimento. Muitos são os comentários negativos que recebem e mais assustadora ainda é a capacidade destrutiva dos mesmos perante o resto da vida de uma mãe, abrindo espaço para depressões, problemas familiares e muitos outros transtornos.
E as mães adotivas? E o próprio pai da criança? Pergunto-me. Nenhum destes exemplos nutre menos sentimento pelo bebé meramente pelo facto de não experienciarem o ato de amamentar. Logo, a que se deve o rótulo de fracassada atribuído à mulher que é inapta de o fazer?
Desmistificando toda esta questão, amamentar é um processo compósito que, embora extremamente valorizado, engloba também sofrimento. A dor, apesar de raramente mencionada, encaixa-se não só na vertente física mas também na emocional e afetiva. Após se guiarem por todas as rédeas exigidas pela sociedade, as mães são ainda alvo de críticas e julgamentos, especialmente quando se toca na questão controversa que é amamentar em público.
Porquê defender o tema como um ato indispensável e insubstituível de amor se privam a mulher de o fazer publicamente? Porquê o choque e a conotação sexual relativa ao seio, fonte de alimento e carinho? Porquê o incómodo combinado de olhares impertinentes e preconceituosos se em nada transmuda a vida dos que observam?
Mais que contestar acerca da concordância ou discordância inerente à temática da amamentação, é importante priorizar a felicidade e o bem-estar da mãe. É importante quebrar preconceitos, é importante garantir o nosso direito e colocá-lo em prática, e é singularmente importante contribuir para uma sociedade mais ética e justa.
- Por Sara Terroso.
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