Aborto: 14 anos desde a sua Legalização em Portugal
- HeForSheIPP

- 11 de fev. de 2021
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"Mas é uma vida" dizem eles, "É assassinato", insistem ainda.
O crime, que todos contestam, é na verdade obrigar a mulher a ter um filho sem o seu consentimento. É forçar uma pessoa que fora abusada sexualmente a gerar uma vida, é comprometer a saúde mental materna e é não defender a vida da mulher que se encontra em jogo.
O célebre argumento do "Fez? Agora cuida." fraqueja de imediato pela incógnita da intenção, isto é, ninguém tem conhecimento se o casal recorreu ou não a algum género de método contracetivo. Ainda que recorresse, levanta também a questão alusiva a gestar uma criança indesejada como que um meio de punição para a "irresponsabilidade" dos pais, sujeitando o filho à mágoa e tristeza bem como a condições de vida precárias.
A verdade é que contra ou a favor, o aborto acontece. Em Portugal, o aborto voluntário foi legalizado por referendo realizado em 2007, porém ainda há diversos países onde o mesmo não se verifica, sendo que a ilegalidade da questão em nada impede a realização do procedimento.
A ilicitude da interrupção da gravidez é, na realidade, o maior fator motivacional no desencadeamento de um aborto arriscado. Sob um ambiente hostil e sem qualquer tipo de segurança prestada, milhares de mulheres correm o risco de morrer em clínicas clandestinas nas quais impera a carência de informação e aptidão por parte das pessoas que o realizam.
Por todos esses motivos, hoje celebramos justamente os 14 anos desde a legalização do aborto em Portugal. 14 anos em que o número total de abortos diminuiu bem como as mortes devido ao procedimento, 14 anos em que se possui livre arbítrio sob o próprio corpo, 14 anos em que a culpa não é nem nunca será da mulher que aborta mas sim da sociedade que a estereotipa de promíscua e irresponsável, mas essencialmente 14 anos nos quais não importa o motivo, apenas a segurança e bem-estar.
- Por Sara Terroso.
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