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COISAS QUE TEMOS DE PARAR DE DIZER AOS HOMENS

Inserimo-nos numa sociedade desigual e machista assinalada pela estereotipização e preconceito que, ainda que de modo involuntário, induz à vulgarização de certos comportamentos e convicções que conferem superioridade e favoritismo ao género masculino em detrimento ao feminino.


Desde tenra idade que somos expostos a julgamentos e insinuações que nos levam a crer que há, efetivamente, uma vasta disparidade entre ambos os sexos, incutindo-nos ideais machistas que conduzem à conjetura que determinadas tarefas, aptidões e até emoções se enquadram exclusivamente ao mundo feminino ou masculino.


Estas condutas, enraizadas no quotidiano e nas circunstâncias em que vivemos, revelam-se produto da edificação da identidade feminina e masculina no decorrer dos anos. Remetemos, assim, à enorme imprescindibilidade de quebrar barreiras e pensamentos que promovem a desigualdade de género, desconstruindo alguns dos termos e expressões com que estamos indubitavelmente familiarizados:


1. "Tens que ser o homem da casa!"

Ainda que antiquada e obsoleta, múltiplas foram as ocasiões nas quais escutamos tal comentário, este que constitui um determinismo social assente no sexo biológico.


Pretendendo retratar a abstração de que somente o género masculino possui um papel autoritário e soberano sobre a família, alude ao facto de que também a figura paterna tem como dever trabalhar arduamente para sustentar toda a casa, velando pela resolução de problemas financeiros e económicos.


Acontece que a idealização do homem como cerne do núcleo familiar espelha uma sociedade conservadora e tradicionalista, acreditando-se que apenas o homem detém competências para a vida profissional, sendo que a mulher, em posição inferior, encarrega-se meramente das tarefas domésticas e cuidados com os filhos.


Felizmente, essa arcaica realidade tem sofrido numerosas mudanças, tornando-se gradualmente ultrapassada. De facto, cada um de nós se reconhece como homem ou mulher, porém, a incontestável verdade é que somos todos seres humanos e a identidade de género em nada delimita funções ou papéis na sociedade.


2. "Apenas as mulheres podem usar roupa cor-de-rosa."

A construção de gênero é um processo instigado desde a nossa infância. Ainda recém-nascidos, as meninas são geralmente distinguidas do sexo oposto através da utilização do cor-de-rosa, símbolo de socialização feminina.


Esta cor, conotada como marca do mundo feminino, evoca a feminilidade, a delicadeza, a ternura e a emoção, estas que são caraterísticas impostas pela sociedade às mulheres. Mais familiarizado com um tom intelectual e tranquilo como o azul, o género masculino tem, por sua vez, um certo receio do cor-de-rosa e de toda sua a conotação envolvente. Isto porque, sendo estipuladas cores para cada sexo desde tão jovens, é criado o entendimento de que, de facto, o cor-de-rosa é uma cor exclusivamente feminina.


3. "Só o homem pode pedir em namoro/casamento."

O clássico estereótipo de que somente os homens podem dar o primeiro passo provém desde a antiguidade, conferindo poder e controle ao sexo masculino.


Atualmente, a política do homem no comando tem se alterando aos poucos, concedendo às mulheres uma maior protagonização no que diz respeito a tais matérias. Embora ainda existam defensores desse género de mentalidades, temos vindo a caminhar para uma sociedade mais justa e sem preconceitos, facultando os mesmos direitos e regalias a ambos os géneros.


4. "Falas como uma mulher!"

Afinal o que é ser mulher? O que é falar como uma mulher?


Somos incessantemente bombardeados com estereótipos que vinculam características negativas às mulheres, qualificadas como o sexo vulnerável e frágil. Embora o expectável pela sociedade não signifique que o género feminino compactue com esses mesmos estereótipos, muitos são aqueles que vêm nesses padrões despretensiosos verdades indubitáveis.


Através de expressões como a referida acima é notoriamente visível uma divisória entre homens e mulheres, acabando por estereotipar e atribuir traços adversos a ambos os géneros. Porém, ninguém se deve restringir a conceções da sociedade bem como abrir mão daquilo que é genuinamente, porque de facto

uma mulher ou um homem é muito mais do que um género, é uma pessoa.

5. "Tu perdeste para uma rapariga?"

O que aparenta ser uma frase usual, é na verdade um comentário de teor machista que, ainda que passado despercebido, retrata a conceção que ainda muitos têm acerca do sexo feminino.


A criação do mesmo no íntimo de uma cultura machista resultou particularmente na inferiorização da mulher para com o sexo oposto. Verificamos, assim, que a utilização de expressões que subestimam a figura feminina de algum modo remontam uma sociedade envelhecida cuja mulher era vista como débil e indefesa.


Apesar de tal comportamento ser considerado algo pertencente ao passado, permanece bem assente na atualidade através da relutância de muitos perante a determinação e bravura incorporada nas mulheres, desacreditando o facto de que antigamente apenas o sexo masculino detinha poder.


6." Cuidar tanto da aparência não te faz parecer tão macho."

Embora a preocupação com a aparência e bem-estar seja cada vez menos uma tarefa exclusivamente feminina, ainda é comum conter a ideia de que apenas as mulheres podem cuidar da sua imagem.


A imposição da beleza e feminilidade nas mulheres advém do início da história da humanidade, sendo desde a época conjeturado o mito que alega a busca infindável das mulheres por uma beleza desmedida. Enquanto isso, era responsabilidade dos homens estudar, viajar e trabalhar, não apresentando qualquer contacto com o mundo da beleza.


Contudo, constatamos que os tempos progrediram, e independentemente do género cada um possui a liberdade de se sentir bem consigo próprio. A vaidade, que muitos defendem ser característico da esfera feminina, é na realidade um direito de todos que melhora não só a autoestima, mas também o nível de confiança e até o modo de se comunicar em coletividade.


7. "Homens não choram."

Alguns juízos valorativos encadeados ao género ainda subsistem de forma resistente e compacta. Através da expressão mencionada, estabelecemos a conceção que o homem, figura alegadamente valente e robusta, é interdito de manifestar os seus sentimentos.


Chorar é um sinal natural de sensibilidade, tristeza e emoção. Por sua vez, a sociedade impõe e espera dos homens uma masculinidade focada na força, na coragem e na insensibilidade, sendo desde cedo ensinados a não demonstrar qualquer traço de fragilidade.

Apesar deste género de pensamento percorrer gerações, concerne a um discurso opressor que alimenta e enfatiza a desigualdade de género. De modo a evoluir enquanto comunidade, é necessário desmistificar a ideia que aquele que exprime emoções será eventualmente mais frágil ou inferior a alguém, encarando as lágrimas como uma reação inteiramente própria e natural do nosso sistema nervoso e nunca como um ato de repreensão ou desvalorização.










- Por Sara Terroso.

 
 
 

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