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ASSÉDIO E ABUSO SEXUAL É CRIME

"Sozinha ao anoitecer com aquelas roupas, a dançar daquela forma e após ter bebido tanto assim, esperava o quê?"


Esperava sentir-se bem. Divertir-se no decorrer de uma noite de distração e lazer passada entre amigos, retornando calma e tranquilamente a casa. Adormecer sem qualquer tipo de inquietação ou dano à sua integridade física e mental. Apenas uma leve ressaca que, no máximo, desvaneceria na manhã seguinte.


Não há justificações plausíveis para um ato tão cruel e repulsivo. O assédio ou abuso sexual não escolhe hora ou local, e a despeito do que muitos especulam, os referidos aspetos anexados à roupa utilizada e até mesmo à quantidade de álcool ingerida nunca serão os protagonistas deste crime. O abusador, preso à violência, intimidação, pressão e reputado pelos seus comentários apáticos e inadequados é, portanto, o único responsável por tamanho delito. Também a sociedade, ao culpabilizar a vítima compactuando com tal abominável feito, acaba por se aliar ao agressor, configurando todo o seu caráter.


Tendo lugar no trabalho, na universidade, na rua, nas discotecas, nos transportes públicos e até em casa, não existe qualquer paradigma para o assediador, refletindo-se ora num estranho ora num colega, amigo ou familiar. Também o sexo masculino, embora sem tanta repercussão, sofre de investidas femininas. Sujeitos a uma cultura machista, receiam a exposição e denúncia uma vez que o papel de herói destemido imposto pela sociedade vê no assédio e abuso sexual um incentivo para a sátira e ridicularização.


Elogios, assobios e olhares desconhecidos bem como convites insistentes, piadas, trocadilhos, toques e apalpões sem qualquer consentimento envolvido, são alguns dos casos mais recorrentes de assédio. Nesse sentido, não é obrigatório existir contacto físico para que ocorra a agressão. Esta, condenável e abusiva, concerne a todo o comportamento indesejado de caráter sexual com o intento de provocar ou constranger a pessoa, afetando consequentemente a sua auto-estima e dignidade.


Sob este ambiente aterrador e humilhante, a quebra do silêncio é extremamente necessária. A denúncia, ainda que ceda espaço para o receio, a vulnerabilidade e a insegurança da própria vítima, é crucial de modo a romper com a violência que tão mal evidencia a nossa sociedade.


Cercados por tanta conturbação e agonia, é impensável permanecer-mos irresolutos ou inclusive permitir que nos silenciem. O julgamento, prevalecente ainda em muitos dos casos, em nada se equipara com a força proveniente do apoio e do respeito. Através do suporte de todos aqueles que atravessaram a mesma situação, acabamos por alcançar força suficiente para pronunciar o ocorrido.


Por isso, denuncia. Por ti, pelo/a teu amigo/a, por daquele/a que foi uma das inúmeras vítimas de violência sexual porém o pavor e hesitação falaram mais alto, mas denuncia.










-Por Sara Terroso.

 
 
 

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